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Moda e relógios

A história da Audemars Piguet: do Vale de Joux ao Royal Oak

Equipe Larino·05/10/2026· 6 min de leitura
Relógio de luxo em aço com pulseira integrada sobre mesa de madeira escura em escritório de residência de alto padrão

Entre as manufaturas suíças que colecionadores tratam com mais respeito, a Audemars Piguet ocupa um lugar curioso. Ela é uma das casas mais antigas da alta relojoaria e, ao mesmo tempo, a responsável por um dos relógios mais ousados do século 20, um modelo de aço que custava mais do que muitos relógios de ouro quando foi lançado. Essa combinação de tradição artesanal e coragem de design explica boa parte do prestígio que a marca tem hoje.

A Audemars Piguet foi fundada em 1875 por Jules-Louis Audemars e Edward-Auguste Piguet em Le Brassus, vila do Vale de Joux, na Suíça, e continua até hoje nas mãos das famílias fundadoras. O modelo mais conhecido da marca é o Royal Oak, lançado em 1972 e desenhado por Gérald Genta, considerado o primeiro relógio esportivo de luxo feito em aço.

Onde e como a Audemars Piguet começou?

O Vale de Joux é uma região de inverno rigoroso, no cantão de Vaud, perto da fronteira com a França. Durante séculos, famílias de agricultores locais passavam os meses de neve produzindo peças e mecanismos de relógio em casa, o que transformou o vale num dos berços da relojoaria suíça.

Foi nesse ambiente que dois jovens relojoeiros se associaram. Jules-Louis Audemars cuidava da parte técnica e da produção, e Edward-Auguste Piguet assumiu a área comercial, uma divisão que se mostrou eficiente desde o início. A empresa foi registrada oficialmente em 1881 e se especializou em complicações, as funções além de mostrar horas e minutos, como repetição de minutos, calendário perpétuo e cronógrafo.

No começo do século 20, a manufatura já tinha reputação de produzir mecanismos muito complexos e de pequenas dimensões. Um dos marcos da época é um relógio de bolso com dezenas de complicações, encomendado por um colecionador, e a marca também esteve entre as pioneiras dos relógios de pulso com repetição de minutos.

Por que a Audemars Piguet ainda é uma empresa familiar?

A maior parte das grandes marcas de relógio de luxo hoje pertence a conglomerados como Richemont, Swatch Group e LVMH. A Audemars Piguet é uma das poucas manufaturas de alta relojoaria que seguem independentes e controladas pelas famílias fundadoras, ao lado de nomes como a Patek Philippe e a Rolex, que pertence a uma fundação.

Essa independência tem efeito prático. A marca decide o próprio ritmo de produção, sem pressão de acionistas por crescimento trimestral, e consegue manter volumes limitados. Por muitos anos, Jasmine Audemars, bisneta do fundador, presidiu o conselho da empresa, e a sede continua em Le Brassus, no mesmo vale onde tudo começou.

Como nasceu o Royal Oak?

No início dos anos 1970, a relojoaria suíça enfrentava a chegada dos relógios de quartzo japoneses, mais baratos e precisos. A Audemars Piguet decidiu responder com algo que ninguém esperava de uma casa tradicional: um relógio esportivo, de aço, com preço de alta relojoaria.

A encomenda foi feita ao designer Gérald Genta, que segundo a história contada pela própria marca desenhou o primeiro esboço em uma única noite, às vésperas da feira de Basileia. O Royal Oak foi apresentado em 1972, com caixa de aço, luneta octogonal fixada por oito parafusos hexagonais aparentes e pulseira integrada à caixa. A inspiração da luneta é atribuída aos capacetes de escafandristas antigos.

O nome homenageia os navios da Marinha britânica chamados HMS Royal Oak, que por sua vez remetem ao carvalho onde o rei Carlos II teria se escondido no século 17. A recepção inicial foi dividida. Um relógio de aço com preço próximo ao de modelos em ouro parecia uma aposta arriscada, e as vendas demoraram a engrenar. Com o tempo, porém, o Royal Oak abriu uma categoria inteira, a do esportivo de luxo em aço, que depois seria seguida por outras manufaturas.

Quais são os modelos mais importantes da marca?

Além do Royal Oak original, a Audemars Piguet construiu um catálogo enxuto, em que cada linha tem identidade clara:

  • Royal Oak: a linha principal, com versões em aço, ouro, titânio e cerâmica, do modelo só com horas e minutos aos de complicações sofisticadas.
  • Royal Oak Offshore (1993): desenhado por Emmanuel Gueit, com caixa maior e visual mais robusto, recebeu na época o apelido de "a fera" e se tornou muito popular entre esportistas e celebridades.
  • Royal Oak Concept: linha experimental, com materiais e formatos de vanguarda e mecanismos técnicos aparentes.
  • Code 11.59 (2019): a primeira grande coleção nova em décadas, com caixa redonda e estrutura octogonal interna, numa tentativa de criar uma linha clássica fora do universo Royal Oak.

Por trás dessas linhas, a manufatura mantém a produção de grandes complicações, que seguem como a base técnica da marca e são produzidas em quantidades muito pequenas.

O que é o Musée Atelier Audemars Piguet?

Em 2020, a marca inaugurou em Le Brassus o Musée Atelier Audemars Piguet, um edifício em espiral de vidro projetado pelo escritório dinamarquês BIG, de Bjarke Ingels. O prédio funciona ao mesmo tempo como museu, com peças históricas da manufatura, e como ateliê onde relojoeiros trabalham em grandes complicações à vista dos visitantes.

A arquitetura se integra à paisagem do vale, com cobertura verde e paredes curvas de vidro que sustentam o teto. O projeto chamou atenção no meio da arquitetura internacional e reforçou a ligação da marca com o território onde nasceu, um tipo de narrativa que o mercado de luxo valoriza muito.

Relógio Audemars Piguet é investimento?

Alguns modelos da marca, especialmente versões clássicas do Royal Oak em aço, passaram anos com procura muito acima da oferta, o que fez os preços no mercado secundário superarem o valor de loja. Esse movimento chamou atenção de compradores que passaram a ver o relógio como ativo.

Ainda assim, relógio de luxo não deve ser tratado como investimento garantido. Os preços de revenda oscilam com o mercado, como aconteceu na correção de valores de vários modelos de grife depois do pico de 2022, e dependem de referência, estado de conservação, caixa e documentos originais. Quem compra pensando em valorização assume risco. Faz mais sentido comprar o relógio pelo prazer de usar e tratar uma eventual valorização como consequência, a mesma lógica que vale para obra de arte e outros bens de colecionador.

A Audemars Piguet e o estilo de vida de alto padrão

A trajetória da Audemars Piguet mostra que tradição e ousadia podem andar juntas quando a marca sabe o que é. O comprador de imóvel de alto padrão em Curitiba ou no litoral catarinense costuma reconhecer esse mesmo valor em um projeto de arquitetura: procedência sólida, execução impecável e um desenho com personalidade, capaz de continuar atual décadas depois, como o Royal Oak continua mais de cinquenta anos após o lançamento.

Perguntas frequentes sobre a história da Audemars Piguet

Quando a Audemars Piguet foi fundada?

A Audemars Piguet foi fundada em 1875 por Jules-Louis Audemars e Edward-Auguste Piguet, em Le Brassus, no Vale de Joux, na Suíça. A empresa foi registrada oficialmente em 1881.

Quem desenhou o Royal Oak?

O Royal Oak foi desenhado por Gérald Genta e lançado em 1972. Ele é considerado o primeiro relógio esportivo de luxo feito em aço, com luneta octogonal e pulseira integrada.

Quem é o dono da Audemars Piguet?

A Audemars Piguet continua sendo controlada pelas famílias fundadoras, Audemars e Piguet. Ela é uma das poucas manufaturas de alta relojoaria que seguem independentes de grandes grupos de luxo.

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Perguntas frequentes

Quando a Audemars Piguet foi fundada?

A Audemars Piguet foi fundada em 1875 por Jules-Louis Audemars e Edward-Auguste Piguet, em Le Brassus, no Vale de Joux, na Suíça. A empresa foi registrada oficialmente em 1881.

Quem desenhou o Royal Oak?

O Royal Oak foi desenhado por Gérald Genta e lançado em 1972. Ele é considerado o primeiro relógio esportivo de luxo feito em aço, com luneta octogonal e pulseira integrada.

Quem é o dono da Audemars Piguet?

A Audemars Piguet continua sendo controlada pelas famílias fundadoras, Audemars e Piguet. Ela é uma das poucas manufaturas de alta relojoaria que seguem independentes de grandes grupos de luxo.

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