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Moda e relógios

A história da Patek Philippe: a relojoaria que virou herança de família

Equipe Larino·03/09/2026· 6 min de leitura
Relógio Patek Philippe Calatrava de mostrador claro sobre superfície escura

A Patek Philippe foi fundada em 1839, em Genebra, pelo polonês Antoni Patek e pelo relojoeiro checo František Czapek. Em 1845 Czapek deixou a sociedade e Patek se associou ao francês Jean Adrien Philippe, inventor do sistema de corda pela coroa, sem chave. A empresa passou a se chamar Patek, Philippe & Cie em 1851. Desde 1932 pertence à família Stern e é hoje uma das últimas grandes manufaturas de Genebra ainda independente e de controle familiar.

Essa continuidade familiar de quase um século é o que sustenta o posicionamento da marca e a frase de sua campanha mais conhecida, sobre guardar o relógio para a próxima geração. Entender a trajetória ajuda a explicar por que uma Patek Philippe está entre os relógios mais caros do mundo, tanto no varejo quanto em leilão.

De Patek e Czapek a Patek Philippe

Antoni Patek era um oficial polonês que emigrou depois de um levante fracassado contra o domínio russo e se estabeleceu em Genebra. Em 1839 abriu a Patek, Czapek & Cie com o conterrâneo de ofício František Czapek, produzindo relógios de bolso de alta qualidade em pequena escala.

A virada veio com Jean Adrien Philippe. Ele havia desenvolvido um mecanismo que dava corda e acertava a hora pela coroa, dispensando a chavinha que até então acompanhava todo relógio de bolso. A invenção foi premiada na Exposição Industrial de Paris de 1844, onde Patek o conheceu. Em 1845 os dois se uniram, e em 1851 a empresa adotou o nome Patek, Philippe & Cie.

Ainda em 1851, na Grande Exposição de Londres, a rainha Vitória comprou um relógio pendente da marca, com corda pela coroa. Foi o tipo de endosso que posicionou a Patek Philippe no topo do mercado desde cedo.

A família Stern assume em 1932

Na crise dos anos 1930, com a Patek Philippe em dificuldade financeira, os irmãos Charles e Jean Stern, donos de uma fábrica de mostradores que fornecia para a marca, compraram a empresa em 1932. Desde então o controle passou de pai para filho.

Hoje a presidência é de Thierry Stern, no cargo desde 2009, com o pai, Philippe Stern, como presidente honorário. É a quarta geração da família à frente do negócio. A Patek Philippe não tem capital aberto e não divulga produção detalhada, mas estimativas de mercado falam em algo em torno de 70 mil relógios por ano, volume pequeno diante do tamanho da demanda.

As complicações que fizeram o nome da marca

A Patek Philippe construiu sua reputação técnica com relógios de complicação, funções além de mostrar a hora: calendário perpétuo, repetição de minutos, cronógrafo de fração, fases da lua, equação do tempo.

Dois objetos resumem essa história. O Henry Graves Supercomplication, relógio de bolso terminado em 1933 sob encomenda do banqueiro americano Henry Graves Jr., reunia 24 complicações e foi por décadas o relógio mais complexo já feito sem auxílio de computador. Em 2014 ele foi leiloado por mais de 23 milhões de francos suíços na Sotheby's em Genebra, recorde para um relógio que segue difícil de superar.

O Calibre 89, apresentado em 1989 para os 150 anos da marca, tinha 33 complicações e retomou o título de relógio portátil mais complicado do mundo. São peças de vitrine, não de catálogo, mas definem o teto técnico que a marca comunica.

Calatrava e Nautilus: os dois extremos do catálogo

No dia a dia, a Patek Philippe é conhecida por dois desenhos opostos. O Calatrava, lançado em 1932 com a referência 96, é o relógio de vestir clássico: mostrador limpo, caixa redonda fina, influência do design funcional alemão da época. Virou sinônimo de relógio social discreto.

Em 1976 veio o Nautilus, desenhado por Gérald Genta, com caixa de aço inspirada numa escotilha de navio e proposta esportiva de luxo, algo raro para a marca. O modelo de aço 5711 foi descontinuado em 2021, o que disparou os preços no mercado de usados e transformou o Nautilus no relógio mais desejado e mais especulado do catálogo.

O Selo Patek Philippe e a frase das gerações

Em 2009 a marca criou o Selo Patek Philippe, um padrão próprio de qualidade que substituiu o histórico Selo de Genebra em seus relógios e cobre não só o movimento, mas o relógio inteiro e a precisão de marcha.

No mesmo período consolidou-se a campanha Generations, no ar desde 1996, com a frase que virou marca registrada: você nunca é dono de uma Patek Philippe, apenas cuida dela para a próxima geração. É publicidade, mas apoiada num fato real: a marca mantém registro de peças desde o século 19 e presta serviço em qualquer relógio que já produziu.

Patek Philippe é herança ou investimento?

As duas coisas, com ressalva. Alguns modelos, principalmente Nautilus e Aquanaut de aço e peças de complicação em edição limitada, se valorizaram muito acima da inflação na última década e têm liquidez alta em leilão. A Patek Philippe é a marca que mais aparece entre os relógios de maior valor já vendidos.

Ainda assim, boa parte do catálogo, sobretudo relógios de ouro mais formais, se comporta como qualquer bem de luxo e perde valor de revenda. Comprar pensando só em ganho financeiro é arriscado e depende de conseguir a peça certa pelo preço de tabela, o que é raro. O uso que a própria marca sugere, de objeto para usar e passar adiante, descreve melhor o que a maioria dos compradores realmente leva.

Linha do tempo da Patek Philippe

  • 1839: Antoni Patek e František Czapek fundam a Patek, Czapek & Cie em Genebra.
  • 1845: Czapek sai e Patek se associa a Jean Adrien Philippe.
  • 1851: nasce a Patek, Philippe & Cie; a rainha Vitória compra um relógio da marca em Londres.
  • 1932: os irmãos Stern compram a empresa; lançamento do Calatrava referência 96.
  • 1933: entrega do Henry Graves Supercomplication.
  • 1976: lançamento do Nautilus, desenhado por Gérald Genta.
  • 1989: Calibre 89, feito para os 150 anos da marca.
  • 1996: começa a campanha Generations.
  • 2001: abre o Museu Patek Philippe em Genebra.
  • 2009: Thierry Stern assume a presidência; criação do Selo Patek Philippe.
  • 2021: descontinuação do Nautilus 5711 de aço.
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Perguntas frequentes

Quem é o dono da Patek Philippe?

A família Stern, que comprou a empresa em 1932. A presidência é de Thierry Stern desde 2009, quarta geração da família. É uma das últimas grandes manufaturas de Genebra ainda independente.

Qual o relógio mais caro já vendido em leilão?

O Henry Graves Supercomplication, da Patek Philippe, leiloado em 2014 por mais de 23 milhões de francos suíços na Sotheby's em Genebra.

O que significa a frase sobre a próxima geração?

É o slogan da campanha Generations, no ar desde 1996: você nunca é dono de uma Patek Philippe, apenas cuida dela para a próxima geração. Reforça a ideia do relógio como herança de família.

Patek Philippe é um bom investimento?

Alguns modelos de aço, como o Nautilus, se valorizaram muito acima da inflação e têm liquidez alta em leilão. Mas boa parte do catálogo se desvaloriza como qualquer bem de luxo. Não é uma aplicação previsível.

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