Moda e relógios
A história da Hermès: da selaria de Paris à bolsa mais desejada do mundo
A Hermès é uma maison francesa de luxo fundada em Paris, em 1837, por Thierry Hermès, que começou fabricando arreios e selas para cavalos de carruagem e, ao longo de quase dois séculos, se tornou uma das marcas mais exclusivas do mundo. Hoje ela é conhecida principalmente pelas bolsas Birkin e Kelly, pelos lenços de seda e por um modelo de negócio que prioriza produção artesanal e controle familiar em vez de crescimento acelerado. É justamente essa combinação que faz a Hermès ser tratada por colecionadores como sinônimo de patrimônio e discrição, e não apenas de moda.
Como a Hermès começou
Thierry Hermès era um artesão de origem alemã que se estabeleceu em Paris e abriu uma oficina de arreios de luxo no bairro dos Grands Boulevards. Numa época em que a carruagem era o principal meio de transporte da elite europeia, arreio bem feito era item de status, e a qualidade do trabalho de Thierry chamou a atenção da aristocracia francesa e de famílias reais de outros países.
Em 1880, o filho Charles-Émile Hermès transferiu a empresa para o 24 da rue du Faubourg Saint-Honoré, endereço que até hoje é a sede histórica e a loja mais emblemática da marca. Foi nesse período que a Hermès passou a vender selas diretamente ao cliente final, aproximando a oficina do público que depois compraria suas bolsas.
Da carruagem ao automóvel: a virada que salvou a marca
No começo do século 20, o automóvel começou a substituir o cavalo, e uma empresa especializada em arreios corria o risco de desaparecer. Émile-Maurice Hermès, neto do fundador, entendeu cedo essa mudança e levou o domínio do couro para outros produtos: bolsas, malas de viagem, cintos e acessórios.
Um dos primeiros modelos foi uma bolsa grande para transportar selas, que depois inspiraria outras peças da casa. Nos anos 1920, a Hermès também foi pioneira na França ao usar o zíper em artigos de couro e moda, com um acordo que garantiu à marca exclusividade no uso do fecho por um período no país. A partir daí, a maison deixou de ser uma selaria e passou a ser uma marca de estilo de vida de luxo, sem nunca abandonar o ofício do couro.
O lenço de seda e a caixa laranja
Em 1937, cem anos depois da fundação, a Hermès lançou o seu primeiro lenço de seda quadrado, o carré, que virou uma das peças mais reconhecidas da marca. Cada estampa é desenhada por artistas e ilustradores, e os temas vão de cavalos e cenas equestres, herança direta da selaria, a paisagens, mapas e referências culturais.
A caixa laranja, hoje uma das embalagens mais famosas do luxo, também tem uma origem prática. Segundo a história contada pela própria marca, durante a Segunda Guerra Mundial havia falta de papelão, e o único disponível para a Hermès era laranja. A cor ficou, e com o tempo se transformou em assinatura visual da casa.
Kelly e Birkin: as bolsas que viraram lenda
As duas bolsas mais desejadas da Hermès têm histórias ligadas a mulheres famosas, e nenhuma delas nasceu de uma campanha publicitária.
- Kelly: o modelo existia desde a década de 1930 como uma bolsa de alça única e formato estruturado. Nos anos 1950, a atriz Grace Kelly, já princesa de Mônaco, foi fotografada usando a bolsa, e o modelo passou a ser chamado pelo nome dela. A marca oficializou o nome Kelly anos depois.
- Birkin: em 1984, o então presidente da Hermès, Jean-Louis Dumas, conheceu a atriz Jane Birkin num voo entre Paris e Londres. Ela comentou que não encontrava uma bolsa grande e prática que também fosse elegante, e a conversa deu origem ao modelo que leva seu nome.
As duas bolsas são produzidas de forma artesanal, com cada peça feita do começo ao fim por um único artesão, o que leva muitas horas de trabalho e limita o volume disponível. Por isso, os modelos mais procurados raramente ficam expostos nas lojas, e a compra costuma depender do relacionamento do cliente com a marca.
Por que a Hermès continua nas mãos da família
Diferente de muitas marcas de luxo que foram incorporadas a grandes grupos, a Hermès segue sob controle dos descendentes de Thierry Hermès, hoje na sexta geração. A empresa tem ações negociadas na bolsa de Paris, mas a maior parte do capital está concentrada na família.
Esse controle foi testado no começo da década de 2010, quando o grupo LVMH acumulou uma participação relevante na empresa. A família reagiu reunindo as ações numa holding para impedir a perda de controle, e anos depois o grupo LVMH reduziu sua participação após um acordo. O episódio reforçou a imagem de independência da marca, algo que pesa muito na percepção de exclusividade.
Na prática, o controle familiar permite decisões que um grupo focado em crescimento trimestral dificilmente tomaria, como manter a produção limitada, investir em formação de artesãos por anos antes de colocá-los nas peças mais complexas e evitar liquidações e descontos.
O que a Hermès ensina para quem investe em ativos de alto padrão
A trajetória da Hermès tem um paralelo claro com o mercado de imóveis de luxo. Escassez real, qualidade que se sustenta no tempo e reputação construída ao longo de gerações são os mesmos fatores que fazem um imóvel de alto padrão manter valor em bairros consolidados, como o Batel em Curitiba ou a orla de Balneário Camboriú.
Assim como uma bolsa Birkin, um imóvel bem localizado e bem construído não depende de modismo para ser desejado. Ainda assim, vale a honestidade que qualquer investidor experiente conhece: nem toda peça de luxo valoriza, e o preço de revenda depende de modelo, conservação, documentação e momento de mercado. O mesmo vale para imóveis.
Onde encontrar a Hermès no Brasil
No Brasil, a presença da Hermès com lojas próprias se concentra em São Paulo, em endereços de shopping de alto padrão da cidade. Para quem mora em Curitiba ou no litoral de Santa Catarina, a compra costuma acontecer em viagem a São Paulo ou ao exterior, especialmente na loja histórica da rue du Faubourg Saint-Honoré, em Paris, que para muitos clientes é parte da experiência.
Na Larino, falamos com um público que valoriza esse mesmo tipo de patrimônio: aquilo que é feito para durar e que atravessa gerações. Se você procura um imóvel de alto padrão em Curitiba, Balneário Camboriú ou no litoral, fale com a nossa equipe para conhecer as opções disponíveis.
Perguntas frequentes
Quando e onde a Hermès foi fundada?
A Hermès foi fundada em 1837, em Paris, por Thierry Hermès, como uma oficina de arreios e selas para cavalos de carruagem. A marca só passou a fazer bolsas e acessórios de moda no começo do século 20.
Qual a diferença entre a bolsa Kelly e a Birkin?
A Kelly tem uma alça única e formato mais estruturado, e ganhou o nome por causa da atriz e princesa Grace Kelly. A Birkin, criada em 1984 para a atriz Jane Birkin, tem duas alças, é mais espaçosa e tem abertura mais prática para o dia a dia.
Por que é tão difícil comprar uma Birkin na loja?
Porque a produção é artesanal e limitada, com cada bolsa feita por um único artesão, e a Hermès controla a distribuição nas próprias lojas. Na prática, o acesso aos modelos mais procurados costuma depender do histórico de relacionamento do cliente com a marca.
Quem é o dono da Hermès hoje?
A Hermès continua sob controle da família fundadora, que reúne a maior parte das ações por meio de uma holding familiar. A empresa é listada na bolsa de Paris, mas a gestão segue ligada aos descendentes de Thierry Hermès.
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