Moda e relógios
História da Rolex: de uma sala em Londres ao maior símbolo de status do mundo
A Rolex foi fundada em 1905, em Londres, por Hans Wilsdorf, um alemão de 24 anos, junto com o cunhado Alfred Davis. A empresa começou como Wilsdorf and Davis, uma importadora que comprava movimentos de relógio precisos de uma fabricante suíça, montava em caixas próprias e vendia para joalherias inglesas. O nome Rolex foi registrado em 1908, curto para caber no mostrador e fácil de pronunciar em qualquer idioma. Em 1919, com impostos altos sobre a importação de metais preciosos no Reino Unido, Wilsdorf mudou a operação para Genebra, onde a marca está até hoje. As duas invenções que a definiram vieram logo depois: a caixa Oyster à prova d'água, de 1926, e o rotor Perpetual de corda automática, de 1931.
Como e quando a Rolex foi fundada
Hans Wilsdorf ficou órfão cedo e começou a trabalhar numa exportadora de relógios em La Chaux-de-Fonds, na Suíça, onde aprendeu o negócio por dentro. Aos 24 anos estava em Londres, então o maior centro comercial do mundo, e abriu com Alfred Davis a firma que levava o sobrenome dos dois. O capital inicial saiu em parte de um empréstimo de Davis. A proposta era simples de enunciar e difícil de executar: fazer o relógio de pulso ser tão preciso quanto o relógio de bolso, num tempo em que pulso era coisa de mulher ou enfeite, e homem sério andava com relógio de bolso e corrente.
Wilsdorf apostou na miniaturização. Encomendou movimentos pequenos e bem-acabados da Aegler, na Suíça, e perseguiu certificados de precisão para provar que a coisa funcionava. Em 1910, um Rolex recebeu o primeiro certificado de cronômetro concedido a um relógio de pulso pelo escritório de controle de Bienne. Em 1914, o Observatório de Kew, na Inglaterra, deu a um Rolex uma classe A de precisão, distinção até então reservada a cronômetros de marinha. Era a prova pública de que a aposta no pulso tinha fundamento técnico.
Oyster e Perpetual: as duas invenções que fizeram a marca
O relógio de pulso tinha dois inimigos: água e poeira, que entravam pela coroa e pelas frestas da caixa, e a necessidade de dar corda todo dia, o que forçava a coroa e abria caminho para a umidade. A Rolex resolveu os dois em cinco anos.
Em 1926 veio a caixa Oyster, com fundo, bezel e coroa rosqueados contra a carrura, o que criou o primeiro relógio de pulso à prova d'água produzido em escala. Para provar, Wilsdorf fez a nadadora inglesa Mercedes Gleitze atravessar o Canal da Mancha em 1927 com um Oyster no pescoço. O relógio saiu intacto, e a Rolex comprou a primeira página de um jornal londrino para anunciar o feito, inaugurando o modelo de marketing por façanha que usa até hoje.
Em 1931 chegou o rotor Perpetual, um peso semicircular que gira livre com o movimento do braço e dá corda ao mecanismo sozinho. Não foi a primeira tentativa de corda automática da história, mas foi a solução de rotor central que virou padrão da indústria inteira. Juntas, Oyster e Perpetual eliminaram a rotina de abrir a coroa todo dia e transformaram o relógio num objeto que se usa e esquece. É por isso que quase todo Rolex de hoje se chama Oyster Perpetual alguma coisa.
Os modelos que viraram ícone
Do pós-guerra em diante, a Rolex lançou uma sequência de relógios que definiram categorias inteiras e continuam em catálogo, com evolução técnica mas sem mudar a silhueta:
- Datejust (1945): lançado nos 40 anos da marca, foi o primeiro relógio de pulso automático e à prova d'água a mostrar a data numa janela no mostrador. Virou o Rolex clássico de vestir.
- Submariner (1953): mergulhador à prova d'água até 100 metros na estreia, com bezel giratório para marcar tempo de imersão. É o relógio esportivo mais copiado do mundo.
- GMT-Master (1955): desenvolvido com a Pan Am para pilotos de voo transatlântico, mostra dois fusos ao mesmo tempo pelo ponteiro extra e o bezel bicolor.
- Day-Date (1956): o primeiro a soletrar o dia da semana por extenso, feito só em ouro ou platina. Ganhou o apelido de President pela pulseira criada para ele e pelo pulso de chefes de Estado.
- Cosmograph Daytona (1963): cronógrafo com escala taquimétrica para medir velocidade média, ligado ao automobilismo. É hoje o Rolex mais desejado no mercado de segunda mão.
Por que a Rolex virou sinônimo de status
Três decisões explicam boa parte disso. A primeira é de propriedade: Hans Wilsdorf não teve filhos e, ao morrer em 1960, deixou todas as ações para a Fundação Hans Wilsdorf, uma entidade sem fins lucrativos sediada em Genebra. A Rolex não tem acionista para agradar, não é listada em bolsa e não publica balanço. Isso dá à marca liberdade para investir em qualidade e em imagem sem pressão de lucro trimestral, e parte do resultado vai para projetos sociais e culturais.
A segunda é de oferta. A Rolex produz na casa de um milhão de relógios por ano, um volume grande para o luxo, mas menor do que a demanda nos modelos esportivos de aço. Lista de espera em revendedor autorizado virou rotina, e essa escassez controlada alimenta o desejo e sustenta o preço.
A terceira é de narrativa. Desde Mercedes Gleitze, a Rolex associa o relógio a feito humano em ambiente extremo: o fundo da Fossa das Marianas, o topo do Everest na expedição de 1953, a cabine de pilotos e a linha de largada de corrida. O relógio deixou de ser instrumento e passou a ser prova de pertencer a um grupo que faz esse tipo de coisa, ou que pode.
Rolex é um bom investimento?
Depende do modelo e do momento. Alguns Rolex de aço, como Daytona, Submariner e GMT-Master, foram vendidos por anos no mercado de segunda mão acima do preço de tabela, o que é raro em relógio. Mas isso não vale para a linha inteira: a maior parte dos modelos de ouro e de vestir sai da loja e perde valor, como quase todo bem de luxo. E os preços de revenda dos esportivos, que dispararam entre 2020 e 2022, recuaram de forma relevante depois disso, mostrando que ali também existe ciclo e correção.
O jeito sensato de encarar é comprar o relógio para usar, escolhendo um modelo que se goste de verdade, e tratar a boa liquidez do Rolex como uma vantagem na hora de eventualmente vender, não como o motivo da compra. Peça único bem conservado, com caixa, documentação e histórico de revisão, é o que melhor segura valor ao longo do tempo, o mesmo princípio que vale para imóvel, carro de coleção e obra de arte.
Perguntas frequentes
Perguntas frequentes
Quando a Rolex foi fundada?
A Rolex foi fundada em 1905, em Londres, por Hans Wilsdorf e Alfred Davis, com o nome Wilsdorf and Davis. A marca Rolex foi registrada em 1908 e a empresa mudou-se para Genebra em 1919, onde permanece.
Por que a Rolex é tão cara?
A Rolex fabrica os próprios componentes com controle de qualidade rígido, produz em volume menor que a demanda nos modelos de aço e investe pesado em imagem sem pressão de acionista, já que pertence a uma fundação. A soma de qualidade, escassez controlada e status de marca sustenta o preço tanto na loja quanto na revenda.
Rolex é um bom investimento?
Alguns modelos esportivos de aço, como Daytona, Submariner e GMT-Master, já foram revendidos acima do preço de tabela, mas a maioria dos Rolex de ouro e de vestir perde valor após a compra. Os preços de segunda mão dos esportivos também subiram muito entre 2020 e 2022 e recuaram depois. O mais seguro é comprar para usar e ver a liquidez como vantagem, não como objetivo.
Qual foi o primeiro relógio Rolex à prova d'água?
Foi o Rolex Oyster, de 1926, com fundo, bezel e coroa rosqueados na caixa. Em 1927 a nadadora Mercedes Gleitze atravessou o Canal da Mancha com um Oyster, e o relógio saiu funcionando, o que a Rolex usou como prova pública da tecnologia.
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